sexta-feira, março 16, 2012

Abismo (08-05-2011)

O mundo é grande
e velho.
E eu só
e triste.

Nada,
além do eco,
me entra pela retina
à velocidade do som.

O anjo cinzento da distância,
sentado em meu ombro,
pita tranquilamente
seu cachimbo gasto.

Sua fumaça é fria
e invade meu peito.
Congela-me o espírito
e as lágrimas.

Minha visão se turva
não posso mais ver
quem éramos nós.
Tudo é nebuloso.

Todo riso não tem mais
a mesma graça.
Toda concordância,
muito vaga.

Cada poesia
é incompreendida
ou ignorada.

E o demônio da distância
Cresce ao pé do ouvido.
E eu, eu já não sei mais nada...