O mundo é grande
e velho.
E eu só
e triste.
Nada,
além do eco,
me entra pela retina
à velocidade do som.
O anjo cinzento da distância,
sentado em meu ombro,
pita tranquilamente
seu cachimbo gasto.
Sua fumaça é fria
e invade meu peito.
Congela-me o espírito
e as lágrimas.
Minha visão se turva
não posso mais ver
quem éramos nós.
Tudo é nebuloso.
Todo riso não tem mais
a mesma graça.
Toda concordância,
muito vaga.
Cada poesia
é incompreendida
ou ignorada.
E o demônio da distância
Cresce ao pé do ouvido.
E eu, eu já não sei mais nada...