Meu corpo dormente
jogado na cama.
E tu te esquivas
pela tangente.
Eu te olho cansado
e ainda com desejo.
Tu te limpas
como quem tens pressa.
Miro teu corpo
dos pés à cabeça.
Tu ajeitas as madeixas
e te viras assim.
Eu continuo encantado
com os farois de teus seios.
Tu me olhas com carinho
e mandas beijos pra mim.
Eu te pego com paixão
e encosto meu corpo.
Tu, já de calcinha,
te esfregas um pouco e sorri.
Eu, de novo teso,
ainda mais louco.
Tu me beijas bem
da boca ao pescoço.
Te jogo na cama
e digo: “me amas?”.
Tu fazes que sim
e me acolhes em teus braços.
Eu, ainda nu,
já não caibo em mim.
Aí tu, de novo ligeira,
sentas na sala
pra ver não-sei-o-que.
E eu, fico de cara,
duro na cama,
perguntando o porquê...
terça-feira, dezembro 27, 2011
segunda-feira, dezembro 05, 2011
Enganar-se (01-11-2011)
O sorriso da face
só dissimula,
porém já tarde,
o respeito que inexiste.
A capa grossa,
e espessa
você veste e rejeita
o carinho só pra mim.
E outras bocas
que beija
em lento conta-gotas
ou enxurradas sem fim.
Seus gemidos
noutros ouvidos.
Esses seios
firmes e macios.
Você pilantra,
vacinada,
já rodada,
mais viva e sagaz.
Finge e fala,
dá e some,
mente e brinca
com outros tais.
Esse momento,
abortado em meu peito,
me doi os brios
e os cotovelos.
E os malditos fios,
miseráveis fios de cabelo
ainda esparramados
em meus lençois desfeitos.
Se confundem
com os pelos
moradores de meu peito,
num quase nó de marinheiro.
Tal qual erva daninha,
sugando a rubra flor
que já nem mais
pode pulsar direito.
E sendo assim,
eu não aceito.
Regarei de outros prazeres
meu espírito-jardim
[vadio e sem jeito...]
só dissimula,
porém já tarde,
o respeito que inexiste.
A capa grossa,
e espessa
você veste e rejeita
o carinho só pra mim.
E outras bocas
que beija
em lento conta-gotas
ou enxurradas sem fim.
Seus gemidos
noutros ouvidos.
Esses seios
firmes e macios.
Você pilantra,
vacinada,
já rodada,
mais viva e sagaz.
Finge e fala,
dá e some,
mente e brinca
com outros tais.
Esse momento,
abortado em meu peito,
me doi os brios
e os cotovelos.
E os malditos fios,
miseráveis fios de cabelo
ainda esparramados
em meus lençois desfeitos.
Se confundem
com os pelos
moradores de meu peito,
num quase nó de marinheiro.
Tal qual erva daninha,
sugando a rubra flor
que já nem mais
pode pulsar direito.
E sendo assim,
eu não aceito.
Regarei de outros prazeres
meu espírito-jardim
[vadio e sem jeito...]
sábado, novembro 26, 2011
Contido (25-08-2011)
Do recato,
juvenil,
das despedidas
nos carros.
Do riso branco
que vicia
e me guia
pro seus lábios.
Do prazer
da companhia
e da cova
quando ria.
Do portão,
de ferro,
que barra
meu desejo.
Do meu corpo
que pede
e cobiça
o seu inteiro.
Do sabor
da reconquista
que incomoda
e me fustiga.
Do tesão,
contido,
em meu corpo,
perdido.
E a espera
do convite
pra subir
que não existe.
E nesse dia,
estranho,
um fulgor
sem tamanho.
Só reforça
o desejo
em possuir
essa mulher...
juvenil,
das despedidas
nos carros.
Do riso branco
que vicia
e me guia
pro seus lábios.
Do prazer
da companhia
e da cova
quando ria.
Do portão,
de ferro,
que barra
meu desejo.
Do meu corpo
que pede
e cobiça
o seu inteiro.
Do sabor
da reconquista
que incomoda
e me fustiga.
Do tesão,
contido,
em meu corpo,
perdido.
E a espera
do convite
pra subir
que não existe.
E nesse dia,
estranho,
um fulgor
sem tamanho.
Só reforça
o desejo
em possuir
essa mulher...
domingo, setembro 25, 2011
Mulher de manhã (27-05-2011)
Quando se apagam
as luzes do dia,
abrem-se as cortinas
e ligam-se os refletores.
E então,
só ela existe,
levitando docemente
nas pontas dos pés.
Ali,
tudo é só dela.
Cada olhar
deseja a bailarina.
Essa entidade hipnótica
pisa em cada coração
nas voltas frenéticas
de seu movimento rotatório.
Vertiginosamente,
a dançarina alucina
os espíritos
com sua elegância singela.
Quando a noite dorme,
porém,
tudo é silêncio e paz
em sua beleza.
O cabelo displicente,
preso no alto da nuca
e o rosto limpo
reforçam o encanto.
Sinto seu calor
embaixo dos lençois.
Me enrosco
em seu corpo.
E neste amolecer
do quase-acordar
tenho o paraíso.
Sem amarras.
Pois, só nós sabemos
o quanto vale
o gosto sincero
de uma mulher de manhã...
as luzes do dia,
abrem-se as cortinas
e ligam-se os refletores.
E então,
só ela existe,
levitando docemente
nas pontas dos pés.
Ali,
tudo é só dela.
Cada olhar
deseja a bailarina.
Essa entidade hipnótica
pisa em cada coração
nas voltas frenéticas
de seu movimento rotatório.
Vertiginosamente,
a dançarina alucina
os espíritos
com sua elegância singela.
Quando a noite dorme,
porém,
tudo é silêncio e paz
em sua beleza.
O cabelo displicente,
preso no alto da nuca
e o rosto limpo
reforçam o encanto.
Sinto seu calor
embaixo dos lençois.
Me enrosco
em seu corpo.
E neste amolecer
do quase-acordar
tenho o paraíso.
Sem amarras.
Pois, só nós sabemos
o quanto vale
o gosto sincero
de uma mulher de manhã...
sexta-feira, setembro 02, 2011
Desaforo (08/07/2011)
Desapareça
na grande rede
de intrigas
do mundo.
Não olhe pra trás,
não se dê ao trabalho.
Não marque horário,
não desperdice as agendas.
E o tempo
apressado.
Em poucos caracteres,
apertados.
Está certa!
Não queira ouvir a voz!
Não pense mais em nós,
não pense em mim!
Não queira ser bengala
de coisa passada.
Seus ouvidos não são penicos
pra lamúrias de ex-amor.
Siga deste modo.
Não conte nada.
Não queira saber,
nem mostre a cara.
Pra ver faces limpas,
sem amor e sem gosto,
melhor o esgoto
da fossa que há aqui.
Não mais espero,
não quero respostas.
Continue dando as costas,
está bem assim!
Quando eu puder,
quebrar as correntes,
esteja satisfeita,
não mais saberá de mim.
segunda-feira, agosto 22, 2011
Fazendo Amor (19/06/2011)
Um louvor a momentos inesquecíveis, guardados com todo o carinho...
Em minha memória
teu corpo branco
és sinônimo metonímico
de corpo de mulher.
Tua carne dura,
teus lábios rosados,
o cabelo natural
e o cheiro que eu gosto.
O encaixe dos beiços
e dos corpos,
que, para mim,
é o mais perfeito.
Teus mamilos oprimidos
contra meu peito
juntam os corações
num quase-beijo.
Tua respiração forte,
a minha ofegante.
Ao pé do ouvido,
sussurros constantes.
Minha mão
procura teu sexo liso.
E então não há
mais nada além de nós.
Minha língua que brinca,
ao redor de teu ouvido,
deixando teu corpo
num arrepio molhado.
E os nossos olhos
se encontram.
Entre verdes e castanhos,
apenas o “sim”.
Intermináveis beijos
por todo teu corpo,
com mordidas sutis,
vão me deixando louco.
Minha barba te arranha
e tu, na manha,
te afastas,
sem cortar o clima.
E me vens por cima,
montas em mim.
Faz o que queres,
fazes assim.
E de repente,
somos quase-um.
Num ritmo gostoso
já estou em ti.
E tu,
já te entregastes,
neste amálga louco,
no cume do amor.
E o gozo.
Compassado,
simultâneo,
nos faz renascer.
Tu pousas em meu ombro,
então, amoleço.
E, semi-acordados,
é o fim do começo.
Em minha memória
teu corpo branco
és sinônimo metonímico
de corpo de mulher.
Tua carne dura,
teus lábios rosados,
o cabelo natural
e o cheiro que eu gosto.
O encaixe dos beiços
e dos corpos,
que, para mim,
é o mais perfeito.
Teus mamilos oprimidos
contra meu peito
juntam os corações
num quase-beijo.
Tua respiração forte,
a minha ofegante.
Ao pé do ouvido,
sussurros constantes.
Minha mão
procura teu sexo liso.
E então não há
mais nada além de nós.
Minha língua que brinca,
ao redor de teu ouvido,
deixando teu corpo
num arrepio molhado.
E os nossos olhos
se encontram.
Entre verdes e castanhos,
apenas o “sim”.
Intermináveis beijos
por todo teu corpo,
com mordidas sutis,
vão me deixando louco.
Minha barba te arranha
e tu, na manha,
te afastas,
sem cortar o clima.
E me vens por cima,
montas em mim.
Faz o que queres,
fazes assim.
E de repente,
somos quase-um.
Num ritmo gostoso
já estou em ti.
E tu,
já te entregastes,
neste amálga louco,
no cume do amor.
E o gozo.
Compassado,
simultâneo,
nos faz renascer.
Tu pousas em meu ombro,
então, amoleço.
E, semi-acordados,
é o fim do começo.
domingo, agosto 14, 2011
Avelino (05/05/2011)
A palavra
que não existiu
me disse
que sim!
Amor,
admiração
e honestidade
são apenas palavras.
Amontoados de letras,
organizadas,
numa convenção convicta,
só querem dizer.
Não são.
Tais sentimentos
rejeitam a escrita,
fogem da traqueia.
Moram na retina,
dilatam as pupilas.
Um olhar.
Este não entra
no jogo ambíguo
e sinuoso
da palavra.
Mil delas não são.
O olhar é sincero.
E o olho é a janela,
pela qual se vê o amor de pai.
quinta-feira, agosto 11, 2011
Non (08/05/2011)
Oito de maio
é um dia triste
dos países baixos
a Paris.
É a noite
feia e agonizante
dos filhos apartados
pelo exílio voluntário.
As estrelas
do céu de Amsterdam
são belas
como as noites da Bahia.
Mas ela,
que é a estrela guia,
desfalca a constelação.
Perco o brilho.
E começa a batalha
contra o não-ter
através dos finos fios
de fibra ótica...
O temor da perda,
a expectativa de rever
e o frio do norte
me fazem fraco.
Meus sentidos suplicam
pelas sensações do lar,
numa alucinação
sinestésica e atóxica.
Volto pra uma casa
órfã e distante,
sem o amor quente
do colo de mãe.
E nessa noite,
a incerteza sonhadora
dos projetos infindos
dá lugar às mais doces lembranças...
terça-feira, agosto 02, 2011
Parto de Orly (01/02/2011)
Qual o preço de um sonho?
Quantas vezes é preciso perder o chão para realizá-lo?
Antes mesmo de o avião decolar já sinto as pernas formigarem, a pressão nos
ouvidos e o aperto no peito.
Ouço um celular que recebe uma mensagem e penso que pode ser o meu.
Reviro os bolsos e a memória e lembro que não o trago comigo.
Procuro um rosto conhecido para partilhar a graça do ato falho. Terá sido meu
espírito, sofrendo de saudades precoces?
Vejo rostos europeus: branco-rosados, finos, desconhecidos. Mais uma vez
tremo.
Penso naqueles que ficaram. Imagem fresca na retina e no coração. Cada
marca de expressão em suas faces, nas quais pude ler a imensidão do amor e
do orgulho, do afeto e da perda (ainda que esta última tenda à efemeridade).
Mais uma vez o celular chama. Desta vez meus olhos protestam molhados.
Será delírio? Penso que devo ser forte.
Cada olho marejado, cada sorriso aberto, toda palavra de apoio dita ao celular
ou ao pé do ouvido antes desta torturante espera na sala de embarque, tudo
isso, faz de mim antes de qualquer coisa um forte, como todo aquele que tem
sangue sertanejo correndo nas veias.
É sabido que não se pode banhar-se duas vezes no mesmo rio. Porém, quero
voltar a este lugar exatamente como me encontro: preservado em valores,
crenças, afetos e gentilezas. Esta é a bagagem da qual não abro mão.
Não.
Não quero entregar-me a um imobilismo conservador. Quero apenas manter
comigo tudo que aprendi com aquelas pessoas e continuar sentindo esta força
que vem “debaixo do barro do chão” de minha terra.
Quantas vezes é preciso perder o chão para realizá-lo?
Antes mesmo de o avião decolar já sinto as pernas formigarem, a pressão nos
ouvidos e o aperto no peito.
Ouço um celular que recebe uma mensagem e penso que pode ser o meu.
Reviro os bolsos e a memória e lembro que não o trago comigo.
Procuro um rosto conhecido para partilhar a graça do ato falho. Terá sido meu
espírito, sofrendo de saudades precoces?
Vejo rostos europeus: branco-rosados, finos, desconhecidos. Mais uma vez
tremo.
Penso naqueles que ficaram. Imagem fresca na retina e no coração. Cada
marca de expressão em suas faces, nas quais pude ler a imensidão do amor e
do orgulho, do afeto e da perda (ainda que esta última tenda à efemeridade).
Mais uma vez o celular chama. Desta vez meus olhos protestam molhados.
Será delírio? Penso que devo ser forte.
Cada olho marejado, cada sorriso aberto, toda palavra de apoio dita ao celular
ou ao pé do ouvido antes desta torturante espera na sala de embarque, tudo
isso, faz de mim antes de qualquer coisa um forte, como todo aquele que tem
sangue sertanejo correndo nas veias.
É sabido que não se pode banhar-se duas vezes no mesmo rio. Porém, quero
voltar a este lugar exatamente como me encontro: preservado em valores,
crenças, afetos e gentilezas. Esta é a bagagem da qual não abro mão.
Não.
Não quero entregar-me a um imobilismo conservador. Quero apenas manter
comigo tudo que aprendi com aquelas pessoas e continuar sentindo esta força
que vem “debaixo do barro do chão” de minha terra.
segunda-feira, julho 11, 2011
Rapariga do Porto (07/07/2011)
Morena do Porto
que passas sisuda
nem sequer
me olha torto.
O azul do teu olho,
de tão azul,
de tão fascinante,
humilha o mar e o Douro.
Rapariga carrasca
de um coração latino
e uivando
de dor.
Tuas faces brancas
que o sol de Portugal roseia,
não vacilam.
Não mudas teu semblante.
E assim maltratas
este viageiro errante,
que levará na bagagem
estes breves instantes…
sexta-feira, julho 08, 2011
93 (28/06/2011)
Homenagem singela às novas amizades construídas nessa jornada estranha...
Na falsa ilusão
das noites
cada sorriso
tem cheiro de amizade.
Nas madrugadas ébrias
todo abraço
tem gosto
de irmão.
Qualquer euforia
parece clímax.
Cada olhar
parece solidário.
Toda essa trapaça
de sentidos e emoções
nos faz alí
quase-felizes.
Porém, quando dorme
a treva da noite,
saímos, de mãos dadas,
desta caverna.
Com o nascer do dia
as caras cansadas
e em carne viva
se mostram limpas.
Não cabem máscaras
ao acordar do sol.
Cabem sorrisos
e lágrimas.
Juras de fraternidade instantâneas
nada tem a ver
com o recém-nascer
sincero da manhã.
Com o canto
dos pássaros
e os primeiros
raios dourados.
Vêm à tona
as estacas dos peitos
o âmago
dos espíritos.
E depois,
de novo o riso,
a saideira
e uma última canção.
A sinceridade
dos corações abertos
segura nossos braços
e celebra a amizade.
Comemoramos, então,
as bodas de sono,
que nos dará a certeza atemporal
de que tudo aquilo foi de verdade.
terça-feira, julho 05, 2011
Sendo como posso (12/04/2011)
Há muito espaço
e folhas em branco.
Há muito pouco tempo
e muito tesão.
Há muita saudade
e já alguns amigos.
Há muitas latas
e também algumas lágrimas.
Há muita disposição
e pouco dinheiro.
Há muitas lembranças
e muito carinho.
Há pouca família
e muito de mim.
Há um mundo inteiro
e também a Bahia.
Há muitos trilhos
e muitos caminhos.
Há vários mundos
e muitas escolhas.
Há muitas canções
e um peito apertado.
Há um novo ciclo
e o próximo fim.
Há o que tem que haver
e estou feliz.
Há muito que parti
e quero voltar...
sábado, junho 25, 2011
Xeque-mate (08-11-2009)
Algumas das linhas rabiscadas na esteira da arte real de um bom amigo...
Hugo Canuto
Foi assim que o dia
cindia.
Encontrei-me
com a noite
em estranha asfixia.
Sem métrica, sem rima,
quase sem poesia.
Angustiado e limitado.
Se limitado,
sem torre, rainha ou cavalo.
Sem dama, sem saída.
Se saída
fosse gota,
bebia todo o tabuleiro.
Pudesse eu cavalgaria,
mesmo sem cavalo
e falo:
Mas a teia,
citei-a,
não permite, não deixa.
Se altura fosse sorte,
talvez,
quem sabe até me jogaria.
Mas,
angustiado e limitado:
sem sorte, sem torre,
sem reza e sem morte.
Se fluido,
não rijo.
Puxo o ar e não consigo
sair deste xadrez.
E se xadrez
fosse vida, querida,
só dama me salvaria
deste xeque-mate.
Se não,
Me mate...
Hugo Canuto
Foi assim que o dia
cindia.
Encontrei-me
com a noite
em estranha asfixia.
Sem métrica, sem rima,
quase sem poesia.
Angustiado e limitado.
Se limitado,
sem torre, rainha ou cavalo.
Sem dama, sem saída.
Se saída
fosse gota,
bebia todo o tabuleiro.
Pudesse eu cavalgaria,
mesmo sem cavalo
e falo:
Mas a teia,
citei-a,
não permite, não deixa.
Se altura fosse sorte,
talvez,
quem sabe até me jogaria.
Mas,
angustiado e limitado:
sem sorte, sem torre,
sem reza e sem morte.
Se fluido,
não rijo.
Puxo o ar e não consigo
sair deste xadrez.
E se xadrez
fosse vida, querida,
só dama me salvaria
deste xeque-mate.
Se não,
Me mate...
domingo, junho 19, 2011
Fera Domada (10/04/2011)
A fumaça de um charuto barato e o álcool de um bom uísque fazem com que minha aflição se condensse em lágrimas quentes. O fumo, o malte e choro me aliviam as chagas do punhal impiedoso da Saudade.
Este monstro maldito traz o tempo em rédea curta. Faz das emoções fantoches. Crava cada vez mais fundo sua lâmina cega nos corações que teimam em pulsar.
A fera cruel é parasita do amor, controi sua morada infernal do mais resistente concreto, sobre as flores delicadas do nobre sentimento.
Quando chega a Saudade, tudo se torna cinza, todo jardim não mais tem flor. Sofrem os poetas, choramos todos.
Refuto o martírio. Rejeito as cordas e o punhal. Me prendo ao verde-fio e aos bons sonhos.
Dentre as névoas do inverno e da fumaça vagabunda, olho para o alto. Também choram anjos e erês. Num canto está Deus, que sorri docemente ouvindo os lamentos daqueles dois poetas de cabelos brancos que têm saudade da Bahia. O paraíso não é suficiente se não há Itapoã.
Mais um gole, outro trago. Sobre minha cabeça, Ogum guarda meu sono tranquilo. E eu sonho...
Domo a besta temida. Cravo as unhas em seu pelo, seguro sua crina com firmeza e, mais uma vez, cavalgo levemente pelas ruas maltratadas e aconchegantes de minha querida cidade...
terça-feira, junho 14, 2011
Bahia na Roda (30-08-2009)
Bahia minha
preta velha.
Bahia na roda,
de samba,
de capoeira.
Roda viva.
Vira casaca.
Foge e se esconde.
Se trasveste
e transforma.
Roda de fogo,
a qual nos cerca
Não podemos,
não há como sair,
sem que a queimemos
ou que sejamos queimados.
Bahia velha pomba
gira em meu juízo,
me deixa com medo e aflito
de perder-te de vez,
de não mais encontrar,
o que ela faz e já fez.
Terna terra-parodoxo,
há quem diga:
Puta, vítima, algoz,
mãe, amor e amiga.
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