domingo, outubro 20, 2013

Um Sonho (28/04/2013)

Queria morder sua alma
e chupar seu coração 
com muita calma.

Lamber seus desejos,
fertilizar com precisão
sentimentos e beijos.

Sorver seus lábios com muita vontade
conduzir o prazer pela mão
e fazer desse sonho verdade... 

segunda-feira, agosto 12, 2013

Pituba (07-05-2012)


É sempre na Pituba
que as minas gerais
tocam os espíritos santos.

Nos lares das meninas
de muitas cores
e vários cheiros.

Distintos toques,
mistérios-sabores.
Jardim de torres.

N’onde moças-flores
se escondem
em labirintos surdos.

Tanto mar
mais preto, meio claro
ou mameluco.

Nada mordo,
fico mudo.
Ainda posso.

Morrer de amores
em arranha-dores
deste céu sisudo...

*Poema selecionado no prêmio Damário Dacruz de Poesia e publicado no livro "Outros Riscos".

quarta-feira, junho 26, 2013

Centro da Saudade (05/07/2012)

Digerindo as novidades,
a gastrite atestada.
Acordados, só eu e a cidade.
Nenhum dos dois diz nada.

O silêncio escandaloso
me invade, já tarde.
E o sentimento, escorreito,
ainda vive, ainda arde.

Tão adequada noite de sono
ou dose de uísque puro malte
pra exorcizar demônios,
bem discreto, sem alarde.

E nada acontece.
A solidão (que se instale!)
e a mudez dessa rua
só me impõem nova saudade...

quarta-feira, maio 15, 2013

Tempo (30/09/2012)


Não quero ter o tempo que preciso.
Desprezo responsabilidades,
odeio as antecedências.
Amaldiçoo os minutos,
que se arrastam.
As consequências
- que se impunham!
Não me importa seu peso.
Antes a tranquilidade,
um gole a mais de cerveja,
quatro ou cinco versos,
Gilberto Gil na caixa
e um pensamento impreciso.
Faço pouco do tempo.
Pra ser feliz nessa vida
não me basta estar vivo...

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Presente (06/02/2013)


Tudo o que eu quero.
O despreocupar tranquilo
de outros Carnavais.
As ruas tomadas
de seres de luz
dançando toques pretos.
As multidões regidas
ao som de guitarra baiana.
E mais.
Que a doçura embriague
os peitos sinceros.
Que o destino nos trague
e nos traga Moreiras e Caldas.
Eu quero a rua quente
em paz caótica.
Quero amar a cidade
e me espalhar nas calçadas.
Afora isso,
não quero mais nada!