Um louvor a momentos inesquecíveis, guardados com todo o carinho...
Em minha memória
teu corpo branco
és sinônimo metonímico
de corpo de mulher.
Tua carne dura,
teus lábios rosados,
o cabelo natural
e o cheiro que eu gosto.
O encaixe dos beiços
e dos corpos,
que, para mim,
é o mais perfeito.
Teus mamilos oprimidos
contra meu peito
juntam os corações
num quase-beijo.
Tua respiração forte,
a minha ofegante.
Ao pé do ouvido,
sussurros constantes.
Minha mão
procura teu sexo liso.
E então não há
mais nada além de nós.
Minha língua que brinca,
ao redor de teu ouvido,
deixando teu corpo
num arrepio molhado.
E os nossos olhos
se encontram.
Entre verdes e castanhos,
apenas o “sim”.
Intermináveis beijos
por todo teu corpo,
com mordidas sutis,
vão me deixando louco.
Minha barba te arranha
e tu, na manha,
te afastas,
sem cortar o clima.
E me vens por cima,
montas em mim.
Faz o que queres,
fazes assim.
E de repente,
somos quase-um.
Num ritmo gostoso
já estou em ti.
E tu,
já te entregastes,
neste amálga louco,
no cume do amor.
E o gozo.
Compassado,
simultâneo,
nos faz renascer.
Tu pousas em meu ombro,
então, amoleço.
E, semi-acordados,
é o fim do começo.
segunda-feira, agosto 22, 2011
domingo, agosto 14, 2011
Avelino (05/05/2011)
A palavra
que não existiu
me disse
que sim!
Amor,
admiração
e honestidade
são apenas palavras.
Amontoados de letras,
organizadas,
numa convenção convicta,
só querem dizer.
Não são.
Tais sentimentos
rejeitam a escrita,
fogem da traqueia.
Moram na retina,
dilatam as pupilas.
Um olhar.
Este não entra
no jogo ambíguo
e sinuoso
da palavra.
Mil delas não são.
O olhar é sincero.
E o olho é a janela,
pela qual se vê o amor de pai.
quinta-feira, agosto 11, 2011
Non (08/05/2011)
Oito de maio
é um dia triste
dos países baixos
a Paris.
É a noite
feia e agonizante
dos filhos apartados
pelo exílio voluntário.
As estrelas
do céu de Amsterdam
são belas
como as noites da Bahia.
Mas ela,
que é a estrela guia,
desfalca a constelação.
Perco o brilho.
E começa a batalha
contra o não-ter
através dos finos fios
de fibra ótica...
O temor da perda,
a expectativa de rever
e o frio do norte
me fazem fraco.
Meus sentidos suplicam
pelas sensações do lar,
numa alucinação
sinestésica e atóxica.
Volto pra uma casa
órfã e distante,
sem o amor quente
do colo de mãe.
E nessa noite,
a incerteza sonhadora
dos projetos infindos
dá lugar às mais doces lembranças...
terça-feira, agosto 02, 2011
Parto de Orly (01/02/2011)
Qual o preço de um sonho?
Quantas vezes é preciso perder o chão para realizá-lo?
Antes mesmo de o avião decolar já sinto as pernas formigarem, a pressão nos
ouvidos e o aperto no peito.
Ouço um celular que recebe uma mensagem e penso que pode ser o meu.
Reviro os bolsos e a memória e lembro que não o trago comigo.
Procuro um rosto conhecido para partilhar a graça do ato falho. Terá sido meu
espírito, sofrendo de saudades precoces?
Vejo rostos europeus: branco-rosados, finos, desconhecidos. Mais uma vez
tremo.
Penso naqueles que ficaram. Imagem fresca na retina e no coração. Cada
marca de expressão em suas faces, nas quais pude ler a imensidão do amor e
do orgulho, do afeto e da perda (ainda que esta última tenda à efemeridade).
Mais uma vez o celular chama. Desta vez meus olhos protestam molhados.
Será delírio? Penso que devo ser forte.
Cada olho marejado, cada sorriso aberto, toda palavra de apoio dita ao celular
ou ao pé do ouvido antes desta torturante espera na sala de embarque, tudo
isso, faz de mim antes de qualquer coisa um forte, como todo aquele que tem
sangue sertanejo correndo nas veias.
É sabido que não se pode banhar-se duas vezes no mesmo rio. Porém, quero
voltar a este lugar exatamente como me encontro: preservado em valores,
crenças, afetos e gentilezas. Esta é a bagagem da qual não abro mão.
Não.
Não quero entregar-me a um imobilismo conservador. Quero apenas manter
comigo tudo que aprendi com aquelas pessoas e continuar sentindo esta força
que vem “debaixo do barro do chão” de minha terra.
Quantas vezes é preciso perder o chão para realizá-lo?
Antes mesmo de o avião decolar já sinto as pernas formigarem, a pressão nos
ouvidos e o aperto no peito.
Ouço um celular que recebe uma mensagem e penso que pode ser o meu.
Reviro os bolsos e a memória e lembro que não o trago comigo.
Procuro um rosto conhecido para partilhar a graça do ato falho. Terá sido meu
espírito, sofrendo de saudades precoces?
Vejo rostos europeus: branco-rosados, finos, desconhecidos. Mais uma vez
tremo.
Penso naqueles que ficaram. Imagem fresca na retina e no coração. Cada
marca de expressão em suas faces, nas quais pude ler a imensidão do amor e
do orgulho, do afeto e da perda (ainda que esta última tenda à efemeridade).
Mais uma vez o celular chama. Desta vez meus olhos protestam molhados.
Será delírio? Penso que devo ser forte.
Cada olho marejado, cada sorriso aberto, toda palavra de apoio dita ao celular
ou ao pé do ouvido antes desta torturante espera na sala de embarque, tudo
isso, faz de mim antes de qualquer coisa um forte, como todo aquele que tem
sangue sertanejo correndo nas veias.
É sabido que não se pode banhar-se duas vezes no mesmo rio. Porém, quero
voltar a este lugar exatamente como me encontro: preservado em valores,
crenças, afetos e gentilezas. Esta é a bagagem da qual não abro mão.
Não.
Não quero entregar-me a um imobilismo conservador. Quero apenas manter
comigo tudo que aprendi com aquelas pessoas e continuar sentindo esta força
que vem “debaixo do barro do chão” de minha terra.
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