Homenagem singela às novas amizades construídas nessa jornada estranha...
Na falsa ilusão
das noites
cada sorriso
tem cheiro de amizade.
Nas madrugadas ébrias
todo abraço
tem gosto
de irmão.
Qualquer euforia
parece clímax.
Cada olhar
parece solidário.
Toda essa trapaça
de sentidos e emoções
nos faz alí
quase-felizes.
Porém, quando dorme
a treva da noite,
saímos, de mãos dadas,
desta caverna.
Com o nascer do dia
as caras cansadas
e em carne viva
se mostram limpas.
Não cabem máscaras
ao acordar do sol.
Cabem sorrisos
e lágrimas.
Juras de fraternidade instantâneas
nada tem a ver
com o recém-nascer
sincero da manhã.
Com o canto
dos pássaros
e os primeiros
raios dourados.
Vêm à tona
as estacas dos peitos
o âmago
dos espíritos.
E depois,
de novo o riso,
a saideira
e uma última canção.
A sinceridade
dos corações abertos
segura nossos braços
e celebra a amizade.
Comemoramos, então,
as bodas de sono,
que nos dará a certeza atemporal
de que tudo aquilo foi de verdade.