domingo, setembro 25, 2011

Mulher de manhã (27-05-2011)

Quando se apagam 
as luzes do dia, 
abrem-se as cortinas 
e ligam-se os refletores. 

E então, 
só ela existe, 
levitando docemente 
nas pontas dos pés. 

Ali, 
tudo é só dela. 
Cada olhar 
deseja a bailarina. 

Essa entidade hipnótica 
pisa em cada coração 
nas voltas frenéticas 
de seu movimento rotatório. 

Vertiginosamente, 
a dançarina alucina 
os espíritos 
com sua elegância singela. 

Quando a noite dorme, 
porém, 
tudo é silêncio e paz 
em sua beleza. 


O cabelo displicente, 
preso no alto da nuca 
e o rosto limpo 
reforçam o encanto. 

Sinto seu calor 
embaixo dos lençois. 
Me enrosco  
em seu corpo. 

E neste amolecer 
do quase-acordar 
tenho o paraíso. 
Sem amarras. 

Pois, só nós sabemos 
o quanto vale  
o gosto sincero 
de uma mulher de manhã...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Desaforo (08/07/2011)


Desapareça
na grande rede
de intrigas
do mundo.

Não olhe pra trás,
não se dê ao trabalho.
Não marque horário,
não desperdice as agendas.

E o tempo
apressado.
Em poucos caracteres,
apertados.

Está certa!
Não queira ouvir a voz!
Não pense mais em nós,
não pense em mim!

Não queira ser bengala
de coisa passada.
Seus ouvidos não são penicos
pra lamúrias de ex-amor.

Siga deste modo.
Não conte nada.
Não queira saber,
nem mostre a cara.

Pra ver faces limpas,
sem amor e sem gosto,
melhor o esgoto
da fossa que há aqui.

Não mais espero,
não quero respostas.
Continue dando as costas,
está bem assim!

Quando eu puder,
quebrar as correntes,
esteja satisfeita,
não mais saberá de mim.