Quando se apagam
as luzes do dia,
abrem-se as cortinas
e ligam-se os refletores.
E então,
só ela existe,
levitando docemente
nas pontas dos pés.
Ali,
tudo é só dela.
Cada olhar
deseja a bailarina.
Essa entidade hipnótica
pisa em cada coração
nas voltas frenéticas
de seu movimento rotatório.
Vertiginosamente,
a dançarina alucina
os espíritos
com sua elegância singela.
Quando a noite dorme,
porém,
tudo é silêncio e paz
em sua beleza.
O cabelo displicente,
preso no alto da nuca
e o rosto limpo
reforçam o encanto.
Sinto seu calor
embaixo dos lençois.
Me enrosco
em seu corpo.
E neste amolecer
do quase-acordar
tenho o paraíso.
Sem amarras.
Pois, só nós sabemos
o quanto vale
o gosto sincero
de uma mulher de manhã...
domingo, setembro 25, 2011
sexta-feira, setembro 02, 2011
Desaforo (08/07/2011)
Desapareça
na grande rede
de intrigas
do mundo.
Não olhe pra trás,
não se dê ao trabalho.
Não marque horário,
não desperdice as agendas.
E o tempo
apressado.
Em poucos caracteres,
apertados.
Está certa!
Não queira ouvir a voz!
Não pense mais em nós,
não pense em mim!
Não queira ser bengala
de coisa passada.
Seus ouvidos não são penicos
pra lamúrias de ex-amor.
Siga deste modo.
Não conte nada.
Não queira saber,
nem mostre a cara.
Pra ver faces limpas,
sem amor e sem gosto,
melhor o esgoto
da fossa que há aqui.
Não mais espero,
não quero respostas.
Continue dando as costas,
está bem assim!
Quando eu puder,
quebrar as correntes,
esteja satisfeita,
não mais saberá de mim.
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