Na faculdade das estradas
pouco se ensina
e se aprende de tudo.
Em nada faz falta
salas quadradas
e cadeiras acolchoadas.
Os melhores professores,
às vezes são mudos.
Os caminhos, escolhidos às cegas,
e as paisagens são admiradas
com olhos atentos de um surdo.
Esta escola - não se engane -
é a morada infinita do absurdo
onde existem poucas portas,
das quais a chave-mestra
pode ser um simples sussurro.
A arte de ensinar a desaprender
e reaprender-refazer
é cortejar o presente-futuro.
Quem entra nessa casa,
não se contenta com uma só sala,
se deixa cair e rolar,
como um fruto maduro.
Não aceita que lhe mandem sentar,
calar ou cultuar os muros.
Formar-se é ser e deixar de ser
e supraviver um poema profundo.
Vou passando, sem me estabelecer.
Sinto na pele o ar quase puro.
As árvores veteranas me saúdam:
bem-vindo à Universidade do Mundo!