domingo, setembro 25, 2011

Mulher de manhã (27-05-2011)

Quando se apagam 
as luzes do dia, 
abrem-se as cortinas 
e ligam-se os refletores. 

E então, 
só ela existe, 
levitando docemente 
nas pontas dos pés. 

Ali, 
tudo é só dela. 
Cada olhar 
deseja a bailarina. 

Essa entidade hipnótica 
pisa em cada coração 
nas voltas frenéticas 
de seu movimento rotatório. 

Vertiginosamente, 
a dançarina alucina 
os espíritos 
com sua elegância singela. 

Quando a noite dorme, 
porém, 
tudo é silêncio e paz 
em sua beleza. 


O cabelo displicente, 
preso no alto da nuca 
e o rosto limpo 
reforçam o encanto. 

Sinto seu calor 
embaixo dos lençois. 
Me enrosco  
em seu corpo. 

E neste amolecer 
do quase-acordar 
tenho o paraíso. 
Sem amarras. 

Pois, só nós sabemos 
o quanto vale  
o gosto sincero 
de uma mulher de manhã...

2 comentários: