domingo, junho 19, 2011

Fera Domada (10/04/2011)

A fumaça de um charuto barato e o álcool de um bom uísque fazem com que minha aflição se condensse em lágrimas quentes. O fumo, o malte e choro me aliviam as chagas do punhal impiedoso da Saudade.

Este monstro maldito traz o tempo em rédea curta. Faz das emoções fantoches. Crava cada vez mais fundo sua lâmina cega nos corações que teimam em pulsar.

A fera cruel é parasita do amor, controi sua morada infernal do mais resistente concreto, sobre as flores delicadas do nobre sentimento.

Quando chega a Saudade, tudo se torna cinza, todo jardim não mais tem flor. Sofrem os poetas, choramos todos.

Refuto o martírio. Rejeito as cordas e o punhal. Me prendo ao verde-fio e aos bons sonhos.

Dentre as névoas do inverno e da fumaça vagabunda, olho para o alto. Também choram anjos e erês. Num canto está Deus, que sorri docemente ouvindo os lamentos daqueles dois poetas de cabelos brancos que têm saudade da Bahia. O paraíso não é suficiente se não há Itapoã.

Mais um gole, outro trago. Sobre minha cabeça, Ogum guarda meu sono tranquilo. E eu sonho...

Domo a besta temida. Cravo as unhas em seu pelo, seguro sua crina com firmeza e, mais uma vez, cavalgo levemente pelas ruas maltratadas e aconchegantes de minha querida cidade...

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