sábado, junho 25, 2011

Xeque-mate (08-11-2009)

Algumas das linhas rabiscadas na esteira da arte real de um bom amigo...

                                                                                                         Hugo Canuto


Foi assim que o dia
cindia.
Encontrei-me
com a noite
em estranha asfixia.
Sem métrica, sem rima,
quase sem poesia.
Angustiado e limitado.

Se limitado,
sem torre, rainha ou cavalo.
Sem dama, sem saída.

Se saída
fosse gota,
bebia todo o tabuleiro.
Pudesse eu cavalgaria,
mesmo sem cavalo
e falo:
Mas a teia,
citei-a,
não permite, não deixa.

Se altura fosse sorte,
talvez,
quem sabe até me jogaria.
Mas,
angustiado e limitado:
sem sorte, sem torre,
sem reza e sem morte.

Se fluido,
não rijo.
Puxo o ar e não consigo
sair deste xadrez.
E se xadrez
fosse vida, querida,
só dama me salvaria
deste xeque-mate.

Se não,
Me mate...

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